Esse debate costuma girar em torno da nutrição, das calorias e do que as crianças “deveriam comer”. Mas, para além dos números, há um aspecto essencial que muitas vezes passa despercebido: a alimentação é o combustível que movimenta o corpo e o brincar infantil. O brincar, por sua vez, é um treino para comer melhor.
Enquanto o alimento fornece energia para que a criança explore o mundo, o brincar prepara o corpo para aceitar o alimento, integrando sentidos, movimentos e emoções.
É uma via de mão dupla, em que o prazer, a curiosidade e a segurança se alimentam mutuamente.
Comer e brincar são comportamentos profundamente interligados.
O mesmo sistema que ajuda a criança a explorar brinquedos, texturas e sons é o que ela utiliza para cheirar, tocar e provar os alimentos. Quando uma criança brinca com farinha, modela massinha ou sopra uma bolha de sabão, ela está, sem perceber, treinando os músculos, a coordenação e a tolerância sensorial que também serão usados para comer.
Por outro lado, quando o corpo não recebe energia suficiente, seja pelo Distúrbio Alimentar Pediátrico (DAP) ou pelo Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo (TARE) a criança pode se tornar mais cansada, irritada e menos disposta a brincar, socializar e aprender.
Por que essa pauta é relevante?
Propõe uma nova lente sobre o comer infantil: o corpo como ponte entre o alimento e o prazer.
Mostra que o brincar não atrapalha o comer, ele prepara o terreno para que o comer aconteça.
Amplia o olhar sobre o comer, conectando alimentação a energia vital, brincar e desenvolvimento.
Ajuda a identificar sinais de alerta precoces de DAP e TARE.
Reforça a importância de acompanhamento multiprofissional, com foco em prazer, repetição e segurança alimentar.

Mensagem-chave
“Criança que come bem não é a que ‘limpa o prato’. É a que tem energia para brincar, explorar, criar e se relacionar. Criança bem alimentada é criança que tem energia para viver a infância de forma livre, curiosa e confiante. Porque comer e brincar são dois lados da mesma infância saudável.”

Sobre a autora:

Maria Fernanda Cestari de Cesar, formada em Fonoaudiologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) em 2014, aprofundou seus conhecimentos ao obter um mestrado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela mesma instituição em 2017. Em 2018, ela especializou-se em Fonoaudiologia Hospitalar no prestigiado Hospital Israelita Albert Einstein.

Aprofundando seu expertise internacionalmente, Maria Fernanda participou de cursos sobre seletividade alimentar infantil ministrados por renomadas especialistas da área, como Suzanne Morris, Marsha Dunn Klein, Kay Toomey e Holly Bridges. Além disso, enriqueceu sua formação com cursos focados em autismo e seletividade alimentar, respaldados por profissionais e plataformas de destaque no cenário acadêmico.

Em 2022, sua competência no tratamento de dificuldades alimentares foi reconhecida com a certificação pela Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia. Sua prática clínica é voltada ao atendimento de crianças e pré-adolescentes, tanto típicos quanto atípicos, enfrentando desafios alimentares.

Como autora, Maria Fernanda contribuiu para a literatura infantil com os livros ‘Francisco não gosta de comer?’ e ‘Miguel e o espectro de oportunidades alimentares’, além de desenvolver o jogo educativo ‘Alimentando Conversas’.

Ela também compartilha sua expertise como docente na pós-graduação do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, no curso voltado ao Transtorno do Espectro do Autismo sob uma abordagem multiprofissional.

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